A resistência do vinil na era digital, e a sobrevivência do CD na era dos streamings
Atualizado: 26 de jun. de 2020
Como sobrevive o mercado de vinis, o mercado físico e seus lojistas na época dos avanços digitais

O vinil objeto leve e maleável, tem origem desconhecida e teve seu lançamento no ano de 1948, diminuindo o uso dos discos de goma-laca. O disco é conhecido pela superioridade na qualidade sonora e pela clareza sonora sem chiados ou ruídos.
No Brasil o objeto chegou no ano de 1951, causando furor e gerando bons números para seus fornecedores e vendedores, com a estabilização da moeda no ano de 1996 a população teve maior poder aquisitivo o que causou a queda nas compras de vinil.
O mercado entrou em ascensão novamente no ano de 2008 após uma alavancada nas vendas de vinil nos Estados Unidos, surgindo assim, as lojas “retrô” que vendem os artigos do passado.
Pesquisas realizadas pelo site de compras eBay mostra que os brasileiros compram em média de 100 discos de vinil por mês, apesar da ascensão do mercado, o produto ainda é instável como afirmou o vendedor Wilson Farina, de 36 anos:
“Há dias que não vendemos nenhum vinil, depende da época, às vezes quando vendemos é fim de mês ou perto de algum feriado. Ou turistas vêm e compram uns 15 discos de uma vez. Não têm uma média de lucro e nem um padrão de vendas.”
Com o surgimento de streamings através da plataforma Napster em 1999, as mídias digitais sofreram um aumento significativo e atualmente é usada por milhões de brasileiros, pois facilitam a vida dos diversos públicos, inclusive os mais viciados em música.
Mas sempre existem os que preferem o material físico como a lojista Katia Pimentel: “Prefiro o analógico, abri mão do digital porque já perdi muito material que não possui um leitor específico para CD's e até vinil. Então se alguém quer me dar um livro, prefiro em papel, uma música em vinil, porque esse tipo de material de raiz não padecem”.
O site Universo do Vinil feito por consumidores do produto realizou pesquisas mostrando que os jovens não são os maiores usuários do produto, e sim os homens de meia idade (38 a 42 anos).
O custo médio do vinil nacional é de R$ 110,00 e o internacional R$ 160,00, Wilson acredita que o valor afasta o público jovem. “A loja tem um formato onde somente trabalhamos com discos novos e a maioria, se não todos, são importados. Então eles não são baratos, o que acaba afastando um pouco os jovens. Estou aqui há 5 anos e nesse período os preços alavancaram, quando era mais barato vinham mais jovens.”
Vários fatores dificultam as compras para o público mais jovem, um deles é o uso do equipamento especifico de som, a vitrola tem um preço médio de R$ 400,00, a caixa utilizada para rodar os discos virou moda em feiras cults e acabou se tornando para alguns um objeto de enfeite.
Além disso, é necessário que a vitrola e o vinil tenham cuidados especiais, principalmente os discos que precisam de armazenagem em locais longe da umidade e do calor excessivo.
Apesar das dificuldades para manter e adquirir o vinil, existem feiras e clubes que proporcionam a oportunidade de garantir os discos por um preço além do esperado. As feiras são organizadas por colecionadores e admiradores dos vinis que procuram comprar os discos com menor preço.

Os eventos ocorrem de forma distinta, os lojistas conquistam o público com atrações inéditas e até mesmo servindo comes e bebes. Nesses eventos os vinis chegam a custar apenas R$ 5,00, e a média de vendas por feiras é de 9.000 mil discos, o que é um grande número para o setor fonográfico.
O Dan Santos, de 30 anos, radialista e dono do Canal no YouTube, Vitrola Alternativa, é colecionador e possui vinis há três anos. Ele está prestes a alcançar o número de 500 vinis, e alega ser frequentador assíduo das feiras de vinis. “Costumo gastar R$ 10,00 por LP, pesquiso muito em feiras e bazar antes de concluir a compra, mas todo esse processo de garimpo leva tempo, é preciso ter paciência e esforço”.
Os lojistas procuram formas de inovação para crescer o nível das vendas de vinis, pois mesmo com o aumento das compras a crise econômica que os brasileiros enfrentam, afetou todas as áreas.

A loja Big Papa localizada no centro de São Paulo, oferece um “happy hour” todas as sextas-feiras como forma de trazer os clientes até a loja, e a Kátia explica que é preciso inovar. “As pessoas não vão parar de ouvir música, porém a economia não está promissora para nenhuma área. Se as pessoas estão deixando de comprar alimento, não vão comprar discos. Aqui na galeria já vi colegas fechando suas lojas, porque estavam perdendo clientes”.
Mesmo com o crescimento do mercado de compras do vinil, ainda é necessário que haja maior expansão para que os discos voltem a ter o sucesso que possuíam nos anos 80, para o Carlos Suarez dono da loja Big Papa o mercado precisa da ajuda da economia para garantir sua expansão:
“Uma série de incentivos que aquecem a economia e fazem tudo funcionar estão sendo cortados, todo mundo passará a ganhar menos, isso tudo é dinheiro que deixa de ser injetado na economia, e não precisamos ser economistas e nem ter um prêmio Nobel para perceber essa realidade. Se a economia estiver razoável, as lojas irão se manter. Espero que o vinil não se torne algo descartado como a mídia propõe e assim se manterá e vai se expandir.”

Vale ressaltar que apesar da moda e do valor financeiro, também existe o valor cultural em cada álbum vendido. O consumidor não está apenas levando um disco, mas está obtendo canções já consagradas e álbuns históricos. Até os álbuns de artistas da atualidade contam como parte da história de materiais físicos, pois se perpetuam igualmente aos demais, somando historicamente a cultura musical. Precisamos deixar a qualidade e o apreço pelo vinil, CD’s ou DVD’S para que as futuras gerações possam conhecer.
Matéria assinada por Camila Gobez, Lucas Kaique e Mayara Rosa e produzida como atividade para compor o 4 º semestre de Jornalismo no Centro Universitário das Américas.




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