O momento de distanciamento social é de reinvenção e aprendizado para os Idosos

A rotina de quarentena não é nada fácil, e além de se reformular na pandemia, eles estão procurando novos conhecimentos que trazem aumento na autoestima e conforto emocional.

Com a pandemia do novo coronavírus, toda a população mundial está vulnerável á infecção. No entanto, apesar das chances de contágio ser a mesma para todas as faixas etárias, o risco de agravamento da doença é nos idosos, por terem maiores possibilidades de desenvolver complicações que podem levar a morte.
Por fazerem parte do grupo de risco, as medidas de isolamento social tornam-se imprescindíveis. Orientados a ficar dentro de casa aliado ao tempo disponível, eles têm se reinventando e, com isso ganhando mais espaço para desenvolver novas atividades que os entretenham e mantém a mente ativa.
Reinventar e se acostumar a uma nova rotina pode até ser difícil. No entanto, apostar em diferentes atividades pode tornar a quarentena voluntária um momento para a descoberta de novos hobbies e habilidades, bem como para a retomada de antigos hábitos.

O aprendizado ao longo da vida é importante, quanto mais aprendemos, mais temos conhecimento temos. E com isso traz novas oportunidades e te insere na sociedade. Mesmo tendo que se reinventar, para manter a rotina em casa e deixar a mente funcionando, ela conta que tem se desafiado com o uso de tecnologia.
“Como não posso sair para ver minha família faço vídeo chamadas pelo Whatsapp. Estou fazendo os pagamentos das minhas contas online. Criei uma conta no Instagram para mostrar minhas costuras e artesanais, tudo com a ajuda da minha neta que vem me visitar pelo menos três vezes por semana. Claro, tomando todos os cuidados necessários”, concluiu a aposentada.
Marlene ressalta que tem o hábito de deixar um pano e água sanitária na entrada da porta, para higienizar tudo que vem de fora, para evitar ao máximo qualquer risco de contágio.
Ela diz que logo após a pandemia quer sair na rua sem medo e ver toda a sua família, e, além de querer abrir uma lojinha para vender suas fantasias e processos manuais feitos por ela.
A aposentada Maria Nalva, que vive no interior de São Paulo com seu marido, gostava de ir à academia para fazer ginastica aeróbica.
Com 67 anos, durante a quarentena ela aprendeu assistindo vídeos aulas a fazer diversas costuras para casa, como, tapete, cortina, colcha de cama, pano de prato entre outros. E agora em casa está ajudando o seu marido com a horta.

“Nunca gostei muito de ficar em casa, mas agora com o isolamento, comecei a pesquisar na internet coisas para se fazer em casa e sozinha. Já sabia costurar, então para mim foi mais fácil, eu apenas observava os vídeos e reproduzia”, declarou.
Ela diz que quer inspirar as pessoas mais novas a chegarem à idade dela sem sedentarismo e buscando sempre aprender.
Saúde mental
O isolamento em casa pode deixar as pessoas mais ansiosas. E é necessário estarmos atentos aos cuidados com a saúde física e emocional. Durante este período, a perspectiva do idoso começa a ficar limitado, o mal-estar psicológico fragiliza a capacidade de adaptação e reação ao confinamento.
A psicóloga Refaella Belli Goulart explica que a maior dificuldade do isolamento social é aceitação dessa nova rotina que foi imposta de forma obrigatória para todos. Aceitando se adaptar, aceitando a doença e aceitando a incerteza da qual não sabemos quando tudo isso vai acabar.
“O idoso pelo processo natural da vida, encarar o medo da morte, ainda mais se estão enfrentando algum tipo de enfermidade”, declarou.
Por isso, ela indica que dê uma atenção especial ao idoso, o recomendado é que eles possam estar ativos e terem atividades inclusive utilizando recursos tecnológicos. A pandemia não tem somente seus lados ruins, com esse isolamento deu várias oportunidades de reconstruir os pensamentos, mudar de vida, conhecer e desenvolver novos talentos.
A velhice é uma fase da vida cheia de prazeres e desafios, com muitas responsabilidades já cumpridas.




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