A representatividade negra nas redes sociais e startups

Atualizado: 26 de jun. de 2020
Levando cultura e conhecimento através das artes e da literatura antirracista.

Há muito se vê por aí a imensidão da desigualdade social e racial no país, mas, mesmo com as mazelas existentes ainda temos a esperança representada por pessoas que buscam levar o bem através do conhecimento e da arte.
Uma dessas pessoas se chama Esdras Procópio Saturnino, 22 anos, músico e criador de conteúdo nas plataformas digitais (TikTok, Instagram, Youtube e Facebook), com licenciatura plena em música pela Universidade Sant’Anna, nasceu em São Paulo e mora na Cidade São Mateus, zona leste da capital paulista onde atualmente trabalha com criação de vídeos e composições.
Esdras também sabe como alegrar o público com leveza e bom humor nas redes sociais, “É um poder imenso ser o primeiro preto brasileiro a obter 1 Milhão de seguidores na Plataforma Tiktok, aonde estou influenciando mais pretos a entrarem na plataforma e mostrarem suas ideias e grandes criações, é o local aonde posso oferecer risadas e conhecimento”, diz. Esdras também já participou de show de talentos na televisão e vem conquistando o seu espaço no meio musical. Tem singles lançados no Spotify como, Vejo Futuro, Te Amar e As Coisas Acontecem Assim.
“Desde pequeno desejei mostrar minhas criações ao mundo (...)", diz Esdras.

Ele nos conta que desde de a infância veio o desejo de cantar e mostrar seu talento para todos, “Desde pequeno desejei mostrar minhas criações ao mundo, eu tive início no ano de 2015 postando meus primeiros vídeos musicais e de comédia no facebook, apenas para meus amigos assistirem, logo surgiu a plataforma chamada Musically e em 2017 comecei a postar minhas criações em todas as redes sociais, atualmente estou com 1.4 Milhões de seguidores no TikTok, 155 Mil no Instagram e 103 Mil no Youtube”.
Mas para chegar a esse avanço em sua carreira, Esdras, assim como muitos que lutam para conquistar o seu espaço no meio artístico, também enfrentam as dificuldades impostas por uma sociedade que ainda não está no seu melhor momento.
Por exemplo, a desigualdade de gênero, o racismo enraizado, o desemprego, a economia que por sinal vai de mal a pior. Isso tudo ainda é constantemente vivido por todos aqueles que buscam ingressar no mercado e enfrentam todas essas questões sem ter a certeza de que conseguirá atingir o objetivo.
E sendo preto e periférico as chances de se destacar ainda são mais baixas, pois, não se é respeitado como deveria ser. A cultura africana ainda é desconhecida não só em nosso país, mas, no mundo e isso nos prova o quanto somos desinformados ao rejeitarmos o berço da humanidade.
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Outra pessoa que representa muito bem a luta pela a igualdade racial é Mirts Sants, especialista em Direitos Humanos e Relações Étnico-Raciais e Quilombolas, Mirts Sants, é fundadora da Pretaria BlackBooks, um clube literário que visa a estimular a produção de livros e obras que promovam a igualdade racial no Brasil.
Mirts explica que a iniciativa principal é difundir o lançamento de livros escritos por pessoas negras, bem como incentivar uma nova geração de autores:
"O estopim para criar o projeto veio pelo fato de eu ser ativista quilombola e estudiosa das questões raciais, recebendo muitos pedidos de indicações de leitura sobre o tema. Essa demanda foi aumentando ao longo da minha trajetória e percebi que havia um interesse enorme por essas obras”, diz a especialista.

A partir de uma assinatura, os participantes irão receber mensalmente uma caixa contendo dicas literárias, brindes exclusivos e um título específico que será selecionado por uma curadoria especializada.
Entre os intelectuais responsáveis por selecionar as obras incluídas no clube, estão artistas e mulheres negras de vários estados do país, como Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Minas Gerais.
A intenção é que representantes de todo o Brasil e até do exterior sejam adicionados ao catálogo. A atriz e escritora Suely Bispo, a especialista em Políticas de Promoção de Igualdade Racial na Escola Sarita Faustino, a socióloga Eliane Quintiliano, a professora e pesquisadora em Letras e Literatura Afrolatina Aila Felício e a ativista e pesquisadora Arielly dos Santos são algumas das profissionais engajadas no programa, Neide Sellin, cientista da computação e criadora do robô cão-guia Lysa é também parceira e sócia de Mirts no clube literário Pretaria BlackBooks
As edições são planejadas para públicos diversos, contendo produtos com temáticas infantis e adultas, estimulando o conhecimento e cultura, incentivando a necessidade da igualdade racial e das causas antirracistas.
Mirts relata ainda a dificuldade que escritores negros enfrentam para terem o seu trabalho reconhecido: “Temos estoques de livros de autores, escritores e poetas negros que ficam nas prateleiras e muitas vezes as pessoas desconhecem esse conteúdo, que é muito rico e traz importantes debates”.

Se ainda não fosse o suficiente as dificuldades diárias enfrentadas, surge a Covid-19 trazendo não só a preocupação com a saúde mundial, mas também acabou afetando economicamente muitas áreas.
Entretanto, no meio do entretenimento e do meio digital, veio a oportunidade de se reinventar, os influenciadores digitais tiveram que mostrar uma nova realidade de conteúdo para os seus seguidores.
Se faz de extrema importância levantar debates, desenvolver assuntos que hoje tem a sua relevância notada por todos os meios de comunicação.
Esdras leva informação, reflexão sobre causas importantes que envolve a realidade vivida por ele, mostrando em seus esquetes o seu cotidiano e falando sobre a diversidade, o amor próprio e as questões raciais com bom humor.
“É algo difícil, pois deve ser bem falado para conseguir fazer com que pessoas compreendam a importância do respeito, de se amar e ter um cuidado maior perante a si mesmo, se compreender e entender o que está ao seu alcance, porém pra isso ser realizado todos estes fatos devem estar acontecendo comigo mesmo, então procuro estar sempre com bom humor, e me compreender cada vez mais, pois se conhecer cada dia também inspira pessoas a se cuidarem e se questionarem como estão", diz.

É importante falar com mais afinco sobre o racismo, a desigualdade social e a luta pelos direitos humanos.
Por isso a necessidade de dar a voz para os jovens talentos pretos, periféricos das mais diversas áreas, para que possam fazer a diferença. Levando com bom humor e ao mesmo tempo, distribuir o conhecimento através das artes, da música, de movimentos culturais que expressam a notoriedade e necessidade de aprender, conhecer e viver a realidade de quem vive e é periférico, preto, pobre e que apesar da desigualdade não se deixa abater, levando sua arte para o infinito.




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